Usamos IA todos os dias na WIGO Media. Em partes específicas do processo que beneficiam de velocidade sem sacrificarem qualidade. Mas há partes do trabalho onde recusamos delegar à IA. Não por posição de princípio, mas porque já vimos os resultados quando se delega o que não deve ser delegado.
Onde a IA generativa genuinamente ajuda
Existem tarefas repetitivas no processo de produção de conteúdo que a IA executa mais rápido e com menos erro do que um humano. São tarefas com padrões claros e um output que pode ser validado.
- Transcrição e legendagem automática. O que demorava horas passou a demorar minutos. Ainda requer revisão humana, mas a base é sólida.
- Primeiros rascunhos de guião e briefing. A IA acelera a fase de arranque. O rascunho não é o produto final: é um ponto de partida para a equipa criativa trabalhar a partir de algo concreto.
- Organização da equipa. Resumos de reuniões, distribuição de tarefas e acompanhamento de prazos passaram a ser automáticos. A coordenação é mais rápida e perde-se menos informação pelo caminho.
- Gestão de materiais. Brutos, fotografias e ativos gráficos são catalogados e organizados de forma automática. Encontrar um plano gravado há meses demora segundos, não horas.
- Tradução de conteúdo. Para mercados internacionais, a tradução automatizada de alta qualidade reduziu significativamente o tempo de produção de versões multilingues.
"A IA é boa a executar. É fraca a decidir o que vale a pena executar. Essa distinção é o trabalho de uma equipa criativa."
Onde a IA ainda falha e porque importa
A falha mais comum que vemos em empresas que adotaram IA generativa sem critério não é técnica, é estratégica. Produzem mais conteúdo, mas com menos identidade. A IA não sabe o que a tua empresa acredita, o que a distingue, ou o que o teu cliente mais valoriza. Esse conhecimento existe dentro da empresa e tem de ser traduzido por pessoas.
A IA generativa falha consistentemente em três áreas no contexto de marketing industrial:
- Voz de marca autêntica. A IA produz conteúdo que soa genérico porque foi treinada em genérico. Distinguir o que a tua empresa diz do que qualquer empresa poderia dizer é trabalho humano.
- Footage real e contexto específico. A IA não vai à tua fábrica. O conteúdo visual mais poderoso é o que só existe dentro da tua empresa: as tuas máquinas, os teus processos, as tuas pessoas.
- Julgamento estratégico. O que publicar, quando, para quem e com que mensagem são decisões que exigem conhecimento do mercado, do cliente e da empresa que a IA não tem.
A nossa posição: IA como ferramenta, não como substituto
Usamos IA para fazer mais rápido o que já saberíamos fazer bem. Nunca para substituir o julgamento que vem de anos a trabalhar com empresas, de estar no chão de fábrica, de perceber o que funciona em comunicação B2B.
A pergunta que fazemos antes de usar IA num projeto é esta: o que perde este conteúdo se for criado sem supervisão criativa? Quando a resposta é nada, usamos. Quando a resposta é tudo, não usamos.
"Publicar mais conteúdo com menos identidade é criar ruído."